sábado, 5 de março de 2011

O meu perfil psicológico, segundo S. Luís

Recentemente, um colega que muito prezo virou-se para mim e disse-me que ia fazer a descrição do meu perfil psicológico (penso que quereria referir-se também ao perfil sociológico):
“Helder, você tem grandes conflitos dentro de si, você tem comportamentos do Bloco de Esquerda, defende os fracos e ataca os mais fortes. Você está sempre contra os chefes. Sempre que alguém é promovido a chefia/dirigente você passa logo a atacá-lo."
Poderia ter invocado o célebre Princípio de Peter formulado pelo Prof. Laurence J. Peter:
"Num sistema hierárquico todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível da sua incompetência ("in a hierarchy every employee tends to rise his level of incompetence").
Entreguei o boletim de adesão ao PSD no dia a seguir ao funeral de Sá Carneiro, "zanguei-me" com Pinto Balsemão, "zanguei-me" com o acordo para a constituição do Bloco Central (PS/Mário Soares e PSD/Mota Pinto, afastei-me do Partido, regressei com a liderança de Cavaco, o seu governo minoritário e as Presidenciais de 86 (Freitas do Amaral 86).
Este amigo que, repito, muito prezo, acusou-me de "infiltrado" bloquista no PSD. Descontando o hiato de final de Dezembro de 1980 e o regresso em 1986, tenho mais de 24 anos de militância, 36 anos de simpatizante e militante. O BE não existia. Infiltrado, eu? 
Quem mudou foi o PSD. De PPD para PSD. De partido de centro-esquerda, com preocupações sociais e humanistas, para algo que é tudo menos social democrata. Não é por acaso que a discussão da revisão do programa a que se deu o nome “GENEPSD”, ainda não terminada, dá sinais claros da adopção de uma política neoliberal.
Quem propôs recentemente o “contrato verbal de trabalho” foi a actual liderança PSD, não fui eu! Se algumas entidades empregadoras não cumprem os contratos reduzidos a escrito, tendo os que se sentem lesados de recorrer aos tribunais, como iriam fazer com os contratos verbais?
Quem impediu o estabelecimento ou não quis estabelecer um tecto no salário dos gestores públicos que não ultrapassasse o vencimento do Presidente da República foi o PSD (mais o PS), não fui eu!
O meu posicionamento personalista e humanista não tem nada a ver com a elevação de A, B ou C a um cargo dirigente, sim com o facto de na esmagadora maioria dos casos tal não se dever a competência técnica e profissional mas a factores "estranhos", nomeadamente o seguidismo e o sevilismo políticos.
Regra geral, o despacho de nomeação termina com a frase "O nomeado tem o perfil adequado para o desempenho do cargo..." Como é que o nomeador sabe?
Se um candidato a cantoneiro de limpeza ou jardineiro tem de fazer testes psicotécnicos, como é que um simples despacho do dirigente máximo do órgão ou serviço pode atestar a competência do indigitado dirigente quando, em situações bem identificadas, o nomeado não só não tem habilitações académicas e profissionais para o cargo, como também nunca o exerceu?
Infiltrado, eu? Bloquista, eu?
SOCIAL DEMOCRATA, PERSONALISTA E HUMANISTA!

 

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